Tragédia comparada, Minas ou Paris?

DOLANE PATRÍCIA 

Atentados terroristas sempre causam uma grande comoção no mundo!
O dia 11 de setembro foi marcado por um dos mais terríveis atentados da história da humanidade, a repercussão se deu a nível de Planeta, no acontecimento mais triste da história de Manhattan.
Aristóteles costumava dizer que "a tragédia é a imitação de uma ação séria e concluída em si mesma... que, mediante uma série de casos que suscitam piedade e terror, tem por efeito aliviar e purificar a alma de tais paixões." (Aristóteles).
Essa mistura de piedade, terror e paixão tomaram conta do mundo no último final de semana após os atentados ocorridos em Paris, quando 129 pessoas foram mortas e outras 352 ficaram feridas após um atentado terrorista do Estado Islâmico
O Facebook, maior rede social do mundo, liberou imediatamente a opção de mudar o perfil dos internautas com as cores da França, os brasileiros aderiram e em pouco tempo grandes monumentos como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, estavam iluminados com as cores da capital parisiense.
Muita gente no Brasil está falando sobre o massacre em Paris, e comparando com a maior tragédia socioambiental brasileira do século XXI, o rompimento de barragens em Mariana, com mais de 20 mortos e vários desaparecidos e uma destruição incalculável do meio ambiente.
Logo vieram as comparações: “porque não colocaram as cores do Brasil após a tragédia em Mariana? Estes, alegaram que o próprio brasileiro estava dando mais atenção a tragédia francesa do que a tragédia brasileira. E em seguida se iniciou uma guerra nas redes sociais, sobre qual merecia maior destaque.
Mas tragédia pode ser medida pela quantidade de corpos? Então pelo que?
O massacre em Paris, a destruição do meio ambiente em Mariana e o atentado islâmico ocorrido numa universidade do Quênia em abril, na África, foram as principais notícias que verbalizaram uma espécie de comparação ao sofrimento de cada tragédia anunciada.
Entretanto, há os que acham que Mariana é uma pessoa! Estão completamente alheios ao desastre ambiental de Minas Gerais e o fim do Rio Doce.
Ou seja, o que muitos questionam, é o fato de não terem dado tanta ênfase ao ocorrido no dia 05 de novembro em Minas Gerais na maior tragédia ambiental do século, como aconteceu dia 13 de abril em Paris.
Porém, não dá para comparar os dois acontecimentos, não dá para medir quem sofreu mais. No entanto, seria muito bom que o mundo fosse solidário ao Brasil como foi com a França, colorindo os perfis de verde e amarelo por um motivo que não fosse o futebol.
Importa ressaltar, que em abril deste ano, ocorreu um atentado na África pelos Islâmicos em uma Universidade, onde foram mortos mais de uma centena de universitários e quase não se ouviu falar no assunto.
Para quem não soube o que houve nos 3 últimos acontecimentos mais tristes do ano, é necessário ter conhecimento, mas a nível de informação, não de comparação.
Em Paris escolheram uma sexta-feira 13:
“O show começou às 21h, 40 minutos depois, enquanto o vocalista da banda californiana começava a tocar a música Kiss the Devil, o público escutou várias detonações junto à porta de entrada.
Saídos de um veículo preto estacionado ao lado do Bataclan, três terroristas acabavam de assassinar os guardas de segurança para entrar na sala, antes de começarem a atirar à queima-roupa no público.
“Faremos com vocês o que vocês fazem na Síria”. Durou uma eternidade, relatou um sobrevivente.
“Havia sangue e cadáveres por todos os lados, era difícil não tropeçar.” contou
De acordo com os presentes, os que se moviam ou pegavam seus celulares eram mortos na hora.
Explosões ocorreram próximo ao Stade de France, em Paris, durante um jogo entre as seleções da França e Alemanha. Além disso, três tiroteios simultâneos - entre eles um ataque à casa de show Bataclan - deixaram 112 mortos, segundo a prefeitura de Paris.
Alguns internautas lembraram que o Jornal Nacional da Globo não dedicou tamanha atenção ao rompimento de uma barragem em Mariana-MG, foram postadas frases do tipo: “Eles não passam férias em Mariana, mas adoram Parisl”.
A propósito, em Minas gerais, o desastre ambiental se deu em 05 de novembro de 2015.
Duas barragens da mineradora Samarco se romperam na cidade de Mariana - MG. Nessas barragens havia lama. Pelo menos 128 residências foram atingidas pela onda de lama e dejetos. Oficialmente, o número de mortos é de seis pessoas e o de desaparecidos, 12.
Em apenas onze minutos, um tsunami de 62 milhões de metros cúbicos de lama aniquilou Bento Rodrigues, distrito de Mariana.
Destruídos pelo tsunami marrom!
Transformado em uma correnteza espessa de terra e areia, o rio Doce não pode ter sua água captada. O abastecimento foi suspenso, e cerca de 500 mil pessoas estão com as torneiras secas.
Especialistas que conhecem a região descrevem o cenário como "assustador".
Mariana entra para a história como uma "ferida aberta", diz Polignano.
Não seria justo comparar uma tragédia ambiental com o ocorrido. O Mundo não mudou as cores dos seus monumentos históricos por Mariana. Mas seria necessário uma mudança nas cores do perfil do Facebook, ou uma mudança na forma como a natureza vem sendo tratada, em toda face da Terra?
Não se pode medir os sentimentos de cada cidadão e sua capacidade de se sensibilizar com esta ou àquela tragédia.
Entretanto, no que diz respeito a África, a história muda de tom, isto porque ocorreram ataques terroristas semelhantes aos de Paris no Quênia, país da África Oriental. Terroristas islâmicos invadiram uma universidade no Quênia e assassinaram 147 pessoas, depois de perguntar entre as vítimas quais eram cristãs.
Segundo noticiado de forma bastante discreta, 142 estudantes morreram ao longo de quase 16 horas de ataque e cerco. Além deles, morreram três agentes policiais e três militares.
Talvez você nem tenha conhecimento que os atiradores entraram no centro universitário, começaram a disparar indiscriminadamente e detonaram vários artefatos explosivos, em um massacre semelhante ao de Paris.
Mas pode-se comparar tragédias? Uma é mais importante ou mais significativa que a outra? Qual merece mais destaque? Não é uma concorrência, entretanto a importância deve vir independente de país e de cultura, trata-se da dignidade da pessoa humana.
“Não existe outra via para a solidariedade humana senão a procura e o respeito da dignidade individual.”
Nesse sentido, é compreensível a indignação de muitos, pois, como diz Valdimir Herzog: “Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados.
*Advogada, juíza arbitral, Personalidade da Amazônia 2012/2013 e Personalidade Brasileira 2014 Twitter: @DolanePatricia_ You Tube: DOLANE PATRICIA RR. Facebook: Dra Dolane Patrícia

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