Brincar de física


Não sou bom entendedor de física. Mas não deixei de perceber que poesias e sentimentos, assim como a água, são capazes de mudar de estado. Uma lágrima, por exemplo, pode ser (por que não?) o estado líquido de alguma tristeza. Risos podem ser alegria em estado gasoso a propagar pelos ares. Algo me preocupa: o estado sólido de algumas coisas. Sim... aquelas coisas que deixamos de lado e aos poucos se petrificam dentro de nós: angústias, dores emocionais, gritos que não damos. E como tudo que é pedra pesa, coisas petrificadas têm peso sobre nós. Faço então uma proposta: que tal brincar de física e mudar estados físicos. Se quebrarmos tristeza, elas virarão pó e poderão ser espanadas. Derreta-se de amores, liquidifique emoções, afinal, lágrimas podem lavar certas impurezas. Libere ares de alegria. E o sólido deixe para aquilo que deseja eternizar dentro de si. Longe de mim intrometer na física cujas fórmulas jamais entenderei, mas descubro que é possível ser dono de minha própria matéria. Há uma termodinâmica potecial em nós. Há uma força eletrostática capaz de aliviar sentimentos de grande carga. Por fim, equilíbrio é saber controlar a temperatura de tudo o que sentimos. Há sentimentos que se aquecem e evaporam, outros esfriam e vão a zero grau. Outros aquecem como o sol quente de verão. Outros ainda são sensitivos como a brisa de uma primavera. A vida é feita de experiências, mas sentimentos não têm fórmulas e há coisas que a ciência jamais entenderá.

Carlos Vieira, 28 anos, Contagem.