É inevitável. Sempre que o peito pesa, seja pela saudade ou pela dor da ausência eu penso em te ligar.

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É inevitável. Sempre que o peito pesa, seja pela saudade ou pela dor da ausência eu penso em te ligar. Bate uma vontade quase que incontrolável de ouvir sua voz, de querer saber do seu dia ou mesmo te contar do meu. Sempre que a saudade aperta meu pescoço, como corda em forca tão bem presa, bate uma vontade de correr pra você. É que sei lá, sempre que a gente está junto é diferente. As coisas são diferentes. Eu sou diferente. Não existe dor, não existe problemas, não existe pesar. Você os tira quase como se fossem fáceis. 

Faz parecer pequeno, banal. E mesmo depois do fim, você continua me dando todo o suporte, toda a segurança. Eu não sei demonstrar o que de fato sinto com todas as mensagens, toda a preocupação. Você continua a oferecer a palavra e o ombro amigo. Você anula toda matéria escura que em meu peito eu tenho como sendo tão bem nutrida. Eu te vejo, mesmo que aos poucos, abrindo suas asas. Você está saindo da concha, está conseguindo se ver na luz. O sol que em sua pele toca, já não causa a mesma dor de antes. A luz não é de tudo um incômodo. 

Nos últimos meses eu venho ouvindo de todos, quase de forma incessante, que a vida segue e que eu não posso me dar por vencido. A vida segue. A vida segue! Eu repito isso pra mim durante todo o dia, na tentativa de fazer com que isso torne-se uma verdade. Mas de que adianta mentir? De que adianta tentar acreditar naquilo que não existe? Ao menos, não pra mim, não no momento. A vida segue, as pessoas continuam. E te ver assim, abrindo suas asas me deixa realmente muito satisfeito. 

Faz com que eu perceba que você está cada vez mais se tornando um ser ainda mais apto a voar. Você está tentando. Seu bater de asas está firmando cada vez mais. E logo você vai estar voando de forma plena, e quando isso acontecer, não vai mais haver espaço pra quem, assim como eu, tem os pés tão bem firmes à terra. Mas eu estarei olhando pro alto, com um sorriso largo no rosto. Estarei olhando tranquilo, vendo que mesmo deixando as coisas pra trás, eu posso as deixar despreocupado, sabendo que as deixo em um lugar onde você é, enfim, feliz. Eu poderei então me despedir, mesmo que sem aviso prévio e sem deixar marcas. Poderei me despedir com a tranquilidade de que tudo foi bem preparado para o fim.

Bruno Campos (via: brunocamppos)