É que minha alma insiste em voar


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É que minha alma insiste em voar, e acredite, não é por falta de castigo que ela não fica. Sempre brigo, bato o pé, ponho sentada, aponto o dedo e digo não. Não! Está me ouvindo? Fique aí, não saia! Mas de que adianta? Ela insiste em agir como se tivesse sido mal criada e basta um piscar de olhos que o bater de asas acontece. 

Ela alça voo e sai por aí livre, perambulando como cão sem dono. Se entorpecendo de pessoas, lugares, memórias e arquiteturas diversas. Ela vive se perdendo. Ora, alma burra! E sempre que se perde, de forma relutante, vai -ao menos é o que ela acha- se encontrar em um copo cheio de um bar vazio, ou em pessoas vazias de um lugar cheio. Pobre coitada, em cada tentativa de se encontrar fica cada vez mais perdida. É quando bate asa de volta pra casa, porque esse caminho a danada não esquece. 

Bate na porta com cabeça baixa como quem acha que me engana. De arrependida não tem nada, mas bobo como sou abro a porta pra que ela entre de volta. Mas é o prazo de fechar a porta pela qual ela entrou que quando vejo lá se foi ela pela brecha da janela. Ela não aprende, não toma jeito! É menina levada, alma indomada. Gosta mesmo é de correr por aí. 

Gosta mesmo é de quebrar a cara e mesmo arrependida, torna a repetir suas façanhas. É cabeça dura! Talvez ela seja meu reflexo, talvez ela seja quem eu queria ser e não sou, talvez ela seja um misto dos dois, não sei bem te dizer. Mas sei que em meio a todos esses talvez, eu ei de continuar tendo a certeza de que não há quem prenda essa alma levada.

Bruno Campos (via: brunocamppos)